quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Análise de 2020: planos e metas

Nesse ano de 2020 podemos dizer que nossa vida virou de ponta cabeça. Logo no início, antes mesmo de pegar o gás para tirar os planos do papel, a pandemia veio para paralisar tudo, nos aterrorizar, nos traumatizar, mudar o curso da nossa vida e afins.
Eu não tinha feito grandes e detalhados planos para esse ano, eu apenas coloquei 5 metas - em um template do Instagram - para realizar nesse ano, que foram as seguintes:

  • Me organizar e focar no mestrado
  • Ler bastante Literatura africana e afro-brasileira
  • Cuidar da minha saúde mental e física
  • Ficar o mais próximo possível da minha família e amigos
  • Viver o presente

Meu objetivo aqui, será, portanto fazer um balanço dessas minhas metas e conversar com vocês sobre esses processos que fazemos para chegar a fazer as coisas que queremos.

Me organizar e focar no mestrado

É sempre interessante pensar sobre a nossa principal prioridade como também a principal/primeira meta do ano. Esse ano eu comecei o mestrado em Estudos Literários na Universidade Federal de Uberlândia, e todo o processo de mudar de cidade, alugar o apartamento, me propor a morar longe das pessoas que amo e tenho contato contínuo foi uma desconstrução mental e emocional, mas eu fui, no final de fevereiro. Como podem perceber, muitíssimo perto do início dos lockdown aqui no Brasil devido o início da pandemia. Então, eu voltei pra minha cidade até que a universidade fosse reaberta e o fato é: até hoje estou no Goiás, com praticamente todas as minhas coisas: roupas, livros, e agora, móveis, lá em Uberlândia, passei o primeiro ano de estudos do mestrado em casa, estudando pela internet, interagindo com colegas e professores via Google meet, e é isso.
Apesar de todos esses contratempos, como eu busquei me organizar e focar no mestrado? Fazendo muitos planejamentos, mensais, semanais, diários e surtando hora ou outra. Ademias, para além de notas - que ainda não as recebi - considero meu primeiro ano de mestrado muito produtivo, gostei bastante das matérias e dos professores, gostei de participar de um grupo de estudo, mesmo que virtualmente construí uma rede de apoios com os colegas, gostei dos textos, da aprendizagem... enfim, não vou me delongar muito, mas acho que atendi satisfatoriamente essa meta. 

Ler bastante Literatura africana e afro-brasileira

Eu leio bastante. Eu despendo muito do meu tempo nessa atividade, pois é algo que me faz bem, me conforta, me anima, me acalma... nesse ano em específico, até mesmo para adentrar melhor no meu objeto de pesquisa do mestrado, decidi que queria ler mais Literatura africana e afro-brasileira, mas ao longo do ano estendi e resumi para: ler mais autores negres*. Até o momento (17/12/2020) eu li 30 livros de autores negres, o que corresponde 65% do total das minhas leituras, o que é um número considerável, além de que, tive a oportunidade de conhecer e experienciar muitas leituras maravilhosas, vivências incríveis e aumentar ainda mais a minha vontade de estar mais perto desses autores e dessas leituras. Darei destaque para alguns autores que conheci e/ou li mais esse ano: bell hooks, Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Lawrence Hill, Buchi Emecheta, Chimamanda Ngozi, Sílvio de Almeida, e outros. Indico todos.
*uso do gênero neutro

Cuidar da minha saúde mental e física

Essa é uma das mais comuns resoluções de ano novo. Cuidar da saúde, caminhar mais, ir pra academia... No início do ano eu sabia que eu queria cuidar mais da minha saúde, mas não sabia como, e com o prosseguir da pandemia e com as normas de ficar em casa, decidi fazer o que quase todo brasileiro deve ter feito - afinal foi uma das coisas mais pesquisas nesse ano - pesquisei: "como fazer exercícios em casa", coloquei uma meta na agenda do Google e fui fazendo polichinelos, corrida parada, prancha, abdominal... usei bastante o canal do Youtube Exercício em Casa, segui várias dicas de pessoas na internet que já tinham esse hábito, como a Tamara Teixeira, a Amanda Teixeira, e a Ana, pra me motivar, e segui. Adaptei meus horários para fazer exercícios todos os dias às 7h, pois percebi que era o mais combinava pra mim e se encaixava com o restante da minha rotina, e estou aqui, desde março - tirando os 23 dias que passei no Sul no mês de setembro - nessa lida. 

Depois, também acrescentei: fazer Yoga, três vezes na minha semana. Então toda segunda, quinta e sexta, que eram os dias que eu menos tinha compromissos logo de manhã pra fazer 15 minutos de Yoga pós exercícios. E essa é outra prática que tem me ajudado muito, até mesmo com relação à saúde metal, que é algo que prezo muito, principalmente depois que tive crise forte de ansiedade entre 2018/2019.

Também para cuidar da saúde mental tentei me organizar bastante, para ter tempo também para as coisas que gosto de fazer, e aliviar a pressão da correria da vida; tentei caminhar ao ar livre para também tomar um sol pelo menos uma vez por semana; comecei a frequentar a nutricionista e seguir plano alimentar para melhorar minha alimentação; dentre outras práticas que vão sendo estruturadas mentalmente e postas em ação, como reduzir o tempo de uso diário do Instagram por uma hora, por exemplo. 

Por fim, essa foi uma das metas que acredito estar mais satisfeitas, porque faz uma diferença gigante na minha vida e influencia totalmente - de maneira positiva - as outras áreas da minha vida. 

Ficar o mais próximo possível da minha família e amigos

Quando eu tive a minha maior crise de ansiedade em 2018, eu estava vivendo os momentos em que eu menos ficava com a minha família, que eu mal tinha tempo para os meus amigos ou para visitar a minha avó, por exemplo. E ainda falho nesse último ponto. Muitas vezes somos engolidos por todas as coisas que colocamos na agenda, coisas que consideramos importantes e, às vezes, até mais importantes do que realmente importa: as pessoas, estar com elas, conversar. 

A pandemia nos tirou muito disso, mas eu acredito que esse ano consegui mais estar com os meus pais, com meu namorado, com as minhas irmãs, minha avó e meus amigos... estar com eles sem, por exemplo, estar pensando no trabalho na segunda, nas provas ainda não corrigidas ou o conteúdo ainda não estudado. 

E isso nos leva ao próximo ponto e meta:

Viver o presente

Pra quem é diagnosticado como ansioso, viver o presente é uma máxima. É constantemente se lembrar de que a vida não é amanhã, é agora, e não por que é urgente, apressado, mas porque é uma dádiva. É difícil conter e lidar com os vários desdobramentos do pensamento ansioso, ou compreender as coisas que são gatilhos ansiogênicos, mas que não estão no nosso controle, como um e-mail não respondido, ou o comentário desagradável de uma pessoa, por exemplo, mas sei que tudo é um processo. 

E eu fico feliz de não ter tido nenhuma grande crise esse ano, mesmo com esse momento de pandemia ou o lidar com meu primeiro ano de mestrado. Mas eu tenho consciência que isso foi por estruturas mentais formadas que me direcionam para o: isso me acalma, me conforta; e para o: isso me da ansiedade, me dá pânico. 

Então, me organizar, fazer yoga, comer bem, fazer exercícios, desligar as redes, estar com a minha família... tudo isso não coisas que me fazer estar presente. E quando me deparo com algo que me causa ansiedade, tento buscar conforto nessas estruturas que me fazem bem.

Mas perceber isso, é um processo - palavra que esteve muito presente no meu 2020 - doloroso, mas necessário para nos compreendermos e sermos mais nós, pois, afinal, somos únicos.

Eu estou bem satisfeita com a minha vida nesse momento, com tudo o que realizei e consegui fazer e lidar nesse ano, feliz pela minha saúde e pela saúde da minha família nesses tempos tão conturbados, e feliz também que eu estou sempre disposta a entrar nesses processos de autoconhecimento sobre mim, para ser melhor para mim e para as pessoas que me cercam. Com certeza 2021 vai ser continuação e manutenção de certos hábitos e criação de estruturas mentais para as próximas mudanças.

Me conta como foi seu ano, como seguiu suas metas...

Alyne Lima
Instagram: @alyneblima @estudandoletrasportugues

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Um conversa sobre hábitos e rotinas...

 E aqui estou eu - mais uma vez - para conversar sobre mais um ponto do livro "Ponto de Equilíbrio" da autora Christine Carter, lançado em 2016 pela editora Sextante. Agora, eu gostaria de ter uma conversa sobre hábitos e rotina, palavras e atos tão temidas(os) por uns, e tão amadas(os) por outros. Eu sou super adepta da rotina, longe de encara-la como algo ruim ou tedioso, na verdade, sinto que é ela que não me deixa cair em fastio, além de que, e esse é o fator que mais gosto: me ajuda a amenizar ou lidar muito melhor com a minha ansiedade.

Pra mim, está tudo bem acordar às 6h (escovar os dentes e lavar o rosto, ler, tomar meu café da manhã, fechar o portão pro meu pai); fazer exercícios às 7h; Yoga às 8h; serviços domésticos às 9h; estudo ou leitura às 10h; almoço 12h; descanso 13h; estudo 14h; tempo livre às 18h; janta 20h; dormir 22h:30 e ir incrementando, reorganizando, remodelando e ir traçando outros caminhos com as necessidades e prioridades que surgirem, mas esse é o meu dia modelo. E tudo bem pra mim, isso me conforta, me permite fazer as coisas que preciso e quero e ainda ter tempo para ócios criativos, como momentos para escrever para mim, ou pensar nas coisas em que leio, por exemplo. 

Mas sei que muitas pessoas se assustam com esse padrão, que em uma primeira vista pode parecer engessado. O que... não é verdade. Bom, temos que trabalhar a nossa mente para que não seja, pelo menos. 

Mas esse "padrão modelo" pra minha vida; foi uma coisa pensada ao longo de todo o meu ano, e que, sem dúvidas, irá mudar na medida em que as prioridades forem mudando ao longo dos anos, exemplo, um emprego, um filho, um doutorado. O que quero dizer é: este foi o meu modelo que trabalhei para funcionar para mim ao longo desse ano de 2020, em que estudei de maneira remota e que tive os estudos como principal prioridade, mas que você deve pensar isso de acordo com as suas prioridades, a sua realidade, e o seu propósito.

Segundo Carter, aqui no livro: "Hábitos são a melhor maneira de ligar o que deveríamos fazer ao que realmente fazemos. Hábitos tiram o esforço do nosso cotidiano e nos dão tranquilidade.". Isto é, é mais fácil fazer as coisas que você quer, quando elas já se tornaram rotina na sua vida. Eu, por exemplo, quando meu despertador toca às 6h raramente resmungo ou quero dormir por mais cinco minutinhos, pois venho trabalhando isso desde agosto em mim, e os exercícios desde maio, então é um processo - não linear - de diversas tentativas para transformar esses hábitos em rotina. 

Antes, então, desses meses mencionados, não era costume eu acordar às 6h ou, se quer, ter uma rotina de exercícios. Era algo que eu sabia que eu devia fazer, mas que fazia esporadicamente, não com uma certa consistência a ponto de ser um hábito. Agora, com o findar do ano, passando pelos altos e baixos, é possível dizer que esses e outros hábitos positivos foram criados no meu 2020, de acordo com a minha realidade, prioridade, e propósito.

Pergunta: Você tem dificuldade de manter um hábito ou transformar um hábito negativo em um positivo?

Nesse livro a autora dá 21 dicas para quem quer formar hábitos, mas ela deixa bem explícito: "aprender a fazer algo e realmente fazê-lo são duas coisas completamente diferentes, que exigem processos mentais diferentes.", então, a menos que você já tenha trabalhado sua mente para construir os hábitos que você queira, o processo será menos doloroso e trará tranquilidade, que é o objetivo da vida: ser mais tranquilo.

O fato é: os hábitos tiram o nosso esforço, "quando transformamos algo em hábito, liberamos o centro de força de vontade do cérebro para focar na estratégia do jogo, na solução para um problema, na realização do nosso trabalho mais importante."

Eu gostei bastante das dicas da autora, que são baseadas em pesquisas e relatos pessoais, e ela menciona um livro que me introduziu nesse mundo: "O Poder do Hábito: por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios", livro de Charles Duhigg, ex-repórter do New York Times, publicado em Fevereiro de 2012 pela Random House.

Me conta nos comentários sua relação com essas duas palavras: hábito e rotina

Alyne Lima

Instagram @alyneblima @estudandoletrasportugues

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Tome cuidado com o vazio de uma vida ocupada demais

 "O que decidimos fazer como todo tempo e energia que fomos capazes de inventar para nós mesmos?", é um dos questionamentos feitos no livro "Ponto de equilíbrio" da autora Christine Carter, lançado em 2016 pela editora Sextante. Esse livro tem a proposta de nos fazermos refletir sobre como manter o nosso equilíbrio, no meio de tantas coisas que temos que equilibrar, como trabalho, estudo, atividades físicas, e demais afazeres como: cuidar dos filhos, resolver pendências, e tudo isso sem nos desfazer as coisas que gostamos de fazer, ler um bom livro, tirar um cochilo, caminhar ao entardecer.

Eu ainda não concluí a leitura, mas já prevejo que será um daqueles livros que grifarei e aprenderei bastante, pois ele traz coisas que quero realmente incrementar e encontrar na minha vida: a amenidade (tem texto sobre isso aqui no blog), a calma, no meio da pressa que o mundo moderno nos coloca, essa necessidade de ser sempre acelerado para dar conta de tudo, essa vida cheia de pressão e constantes lutas com compromissos familiares e profissionais. 

A autora diz que: "Os mesmos dispositivos que, nos dias de hoje, facilitam a nossa vida também nos fazem trabalhar mais.". E isso parece - e é - óbvio - afinal, quem já não se pegou respondendo mil e-mails ou mensagens de WhatsApp do trabalho antes ou além do seu horário de serviço, e quanto essas mensagens influenciam em todo o nosso dia, no nosso humor, na nossa energia dependendo do seu teor e conteúdo, mas mesmo assim, continuamos deixando nos engolir por essa torrente de mensagens.

É verdade que as novas tecnologias poupam tempo, e às vezes isso nem importa muito, pois preenchemos esse "novo" tempo de formas que não aumentam nem nossa produtividade nem nossa felicidade. E assim, entramos nesse paradoxo. 

Quantas vezes nos deparamos pensando ou desejando uma vida mais tranquila? Poder parar e conversar com o vizinho, brincar com o cachorro e apreciar a alegria dele (sem estar ao mesmo tempo no telefone), desfrutar de finais de semanas inteiros com sua família ou com seu companheiro, lendo por puro prazer, dentre outras atividades que nos tiram dessa roda-viva.

Uma frase que tenho gostado bastante ultimamente é a seguinte: "Tome cuidado com o vazio de uma vida ocupada demais", coloquei ela como papel de parede do meu computador, pois eu sou dessas pessoas que utilizo a agenda tecnológica para amontoar coisas para fazer, quanto mais minha agenda do Google tiver apertada e colorida com afazeres vários e diversos eu me sentia/sinto: melhor, mais produtiva, mais competente (?)

Até que chegou um momento do ano que eu só quero amenidades, e as coisas que mantém minha roda funcionando são as únicas que coloco na agenda. E tudo bem. 

Eu sei que chega momentos do ano que, com os afazeres obrigatórios, somos mesmos engolidos. O planejamento sai do controle, nossa vida vira de cabeça pra baixo, mas quantos desses compromissos você cria? quantos deles são totalmente dispensáveis, mas é melhor deixar ali para mostrar para os outros que fez? Sua energia e seu tempo valem isso?

Fazer um intervalo é uma maneira de aumentarmos o nosso poder cerebral, e muitas vezes não damos valor a isso, ou encaramos como anti-produtivo. É preciso deixarmos para trás coisas que nos sobrecarregam, como o toque constante no smartphone (o que tenho tentado desde a última semana de novembro desse ano, ficando, no máximo, uma hora por dia no Instagram) , cultivar relacionamentos e vínculos com outras pessoas, fazer exercícios, etc. 

Então, qual a melhor forma de transformar exaustão, ou ansiedade, em energia produtiva? Intervalo, pausa... Nossa exaustão não é um troféu da nossa capacidade de tolerar o estresse, como marca de caráter. Trabalho focado não é o mesmo que trabalho interminável. É preciso dizer o óbvio: somos humanos, e não máquinas. Temos que aceitar o ritmos normais do corpo.

Carter diz, e eu concordo, que: "às vezes, pessoas esforçadas e competentes sentem culpa quando as coisas ficam fáceis (...) Se não está difícil será que estou mesmo trabalhando? Se não estou trabalhando, eu valho alguma coisa?". Muitas vezes já me peguei com esse sentimento de culpa, principalmente nessa época do ano que as aulas, reuniões, palestras diminuem drasticamente e a agenda fica com muitos espaços vagos. A vontade é de preencher com mil cursos e as famosas "oportunidades imperdíveis" que a internet nos lança; mas temos que nos lembrar de ter intervalos, de que viver exausto e alarmado não é necessário.

Então, vamos aproveitar esse tempo que foi criado e propiciado pela tecnologia, não para ser sugado por ela ou pela máquina capitalista, mas para nós, para as coisas que recarregam as nossas energias, nos rejuvenesce e que, ironicamente, aumentam a nossa produtividade.

Essas foram só algumas reflexões feitas e pontos que me chamaram a atenção na Introdução e no primeiro capítulo desse livro - e ele tem 10! - então, se surgir mais algo - e eu acho que vai surgir, venho aqui compartilhar! 


Alyne Lima

Instagram @alyneblima @estudandoletrasportugues

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quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Resumo do mês - Novembro 2020

 Eu amo novos ciclos. Sejam eles diários, semanais, mensais ou anuais. Acredito que todos eles nos renovam, nos mostram o que deu certo e o que precisa ser repensado e nos indicam caminhos mais acertados. Além disso, gosto de sempre fazer essa análise de como percorreu o ciclo passado, com agendas e mini hábitos. E hoje, navegando pela blogosfera li uma publicação com esse mesmo título lá no blog Vida Organizada, achei interessante e decidi implantar por aqui também. Então, a partir desse mês vou fazer um resuminho básico do que foi o meu mês por aqui, vou me concentrar nas áreas: o que senti, ouvi, li, estudei, vivenciei e algumas reflexões. Vamos lá? 

Com relação ao Mestrado em Estudos Literários (falo mais sobre ele no Instagram @estudandoletrasportugues) que é minha área de foco maior, eu tinha dois grandes objetivos esse mês: participar do evento COPENE, que aconteceu de maneira remota, e escrever os trabalhos finais das disciplinas do Mestrado - Literatura Fantástica e Representação Literária. 

Na primeira semana do mês, eu fiquei lendo artigos e comparecendo às aulas das matérias, além de fazer uma fala com os alunos de uma colega minha do mestrado sobre o meu projeto de pesquisa e o que estudo e também resolver as coisas da renovação da minha carteira de motorista. Além disso, participei da reunião do grupo de discussão e debates que organizo, nesse mês, falamos sobre duas obras do Edgar Allan Poe "O gato preto" e "A queda da casa Usher". 

Na segunda semana do mês, meu foco foi praticamente total para os eventos do COPENE, foi um evento muito interessante que me acrescentou demais, eu assisti a abertura que teve a presença da autora que estudo, a Conceição Evaristo, compareci em uma mesa redonda e dois minicursos. O que mais gostei foi sobre Yorubá, uma língua da Nigéria. 

Ainda nessa segunda semana do mês, eu participei de curso online "Introdução à teoria negro feminista, ofertado pelo Pretitudes. Nesse curso dialogamos sobre diversas teóricas feministas como bell hooks, Patrícia Hill Collins, Angela Davis, Lélia Gonzalez, Conceição Evaristo e Sueli Carneiro. Foi um curso que me acrescentou demais, gostei muitas aulas e das reflexões propostas pelas professoras.

E no meio disse tudo eu participei de um seminário sobre Lélia Gonzalez, Educação, Mídia e Ativismo com a professora Elizabeth Viana e o Alex Ratts, que foi "simplesmente esplêndido" (quem pega a referência?)

Para finalizar a semana eu tive uma prova de proficiência em língua estrangeira para o mestrado no sábado. Uma prova extensa e difícil que sugou bastante.

Acredito que tenha sido nessa semana o meu ápice de esgotamento mental do ano. Venho estudado para o mestrado desde antes das aulas começarem e nessa semana com tanta correria eu me desgastei e entrei em um estado de letargia e canseira extrema.

A terceira semana do mês foi uma semana mais "leve", me dediquei à escrita do capítulo 3 e 4 do trabalho de Representação Literária, além de assistir aula, ir ao dentista e conversar com os alunos de uma escola sobre Literatura Negra. No sábado, eu me propus a ficar menos no instagram, pois comecei a perceber que esse poderia ser um ansiogênico para mim, e como eu já estava desgastada, eu achei que seria uma boa testar caminhos pra me sentir melhor.  

Nessa semana eu tive o resultado da prova de proficiência o que foi muito positivo! E nós concluímos a matéria de Literatura Fantástica, que foi muito bacana. E ainda nessa semana, concluí a leitura do livro "A volta do parafuso" do Henry James.

E pra finalizar a semana, teve comemoração de seis anos de namoro <3

A quarta semana do mês foi bem tranquila, eu passei toda ela me propondo a ficar no máximo uma hora no instagram, mas fiquei uma média de 40 minutos, o que é melhor ainda, e percebi isso como muito positivo na minha vida, me deixou com mais tempo e energia para fazer coisas que eu realmente aprecio, como escrever no blog, por exemplo. Além disso, nessa semana eu fiz meu trabalho final de Literatura fantástica, fiz um slide para um evento que vai acontecer agora em Dezembro, tive reunião do Grupo de Estudos do Mestrado e tive a última aula de Representação literária - uma matéria que também curti bastante, apesar de ser um pouquinho mais complexa. 

E como eu tive mais tempo pra mim, e para as coisas que gosto eu finalizei duas leituras nessa semana que foram "O retrato de Dorian Gray" do Oscar Wilde e "Identidade" da Nella Larsen.

Sobre exercícios: Eu me proponho fazer exercícios de segunda à sexta e eu cumpri isso adequadamente, além de caminhar um ou outro dia como exercício extra. Também busquei comer sempre que possível comida de verdade e ingerir bastante água. Além da Yoga 3x por semana. Uma meta pessoal que encaro que concluí positivamente no mês.

Ouvindo: Simplesmente encantada de inúmeras formas com o álbum AmarELO do Emicida. Gostaria até de fazer um post mais detalhado sobre ele. 

O que assisti:

  • Filme: A caminho da Lua
  • Filme: O que ficou para trás
  • Filme: Operação de natal
  • Filme: Uma invenção de natal
  • Série: Dash & Lily
  • Filme: A princesa e a Plebéia - Nova Aventura
  • Curta: Se algo acontecer... te amo
  • Filme: Mãos Talentosas
  • Série: A maldição da mansão Bly

No mais acho que é isso, estou muito animada e positiva pra dezembro. No meio desse caos da pandemia ter saúde já é o máximo, portanto, se a gente consegue caminhar, mesmo que lentamente em rumo aos nossos objetivos é uma vitória imensa. 

Pra quem quiser acompanhar tudo isso de maneira mais diária tem tudo lá no Instagram com dicas, resenhas, bate-papo, motivação, uns perrengues e vida que segue kkk

Me conta o mês de vocês também, espero que tenha sido positivo, e que esse novo ciclo que se inicia seja de muita luz, paz e saúde. 

Alyne Lima

Instagram: @alyneblima e @estudandoletrasportugues

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Mais tempo para as coisas amenas


Agora que estou despendendo menos tempo no Instagram, - comecei esse projeto tem uma semana, mas já está me fazendo um bem danado -  tem me sobrado mais tempo para as coisas amenas - agradáveis, aprazíveis, brandas, delicadas, suaves, sossegadas, serenas; como, por exemplo, escrever aqui no blog ou no meu caderninho, para mim, que é uma coisa que gosto muito, mas que pouco me sobra tempo quando gasto minha energia com coisas que não me acrescentam tanto, como rolar infinitamente o feed e as news das redes sociais. 

Essa semana também concluí duas leituras de qualidade. Leitura pausada, em diálogo com o livro, degustando as linhas e as entrelinhas. Esse é outro hábito meu que tenho ressignificado.

E acabei de voltar de uma caminhada matinal. Hoje - dia que escrevo - no último domingo de novembro de 2020, um ano tão confuso, caótico, doentio... e que uma simples, leve e amena caminhada de domingo - coisa que não faço com frequência, caminhar no domingo, digo - pude apreciar o céu, sentir o sol e o vento sobre e pela minha pele, ouvir um podcast levinho e bandas e cantores que me fazem refletir. 

Talvez, seja essa uma boa prática para incrementar na minha vida: ser amena. Me dar a oportunidade de caminhar no próprio tempo, no meu próprio ritmo, sem me jogar na máquina que nos engole. O me dar a oportunidade de ter um tempo de qualidade com os que me cercam e um tempo de qualidade comigo mesma. É isso que quero: amenidades. 


Alyne Lima

Instagram: @alyneblima @estudandoletrasportugues

Se gostar do texto, aproveite para deixar o seu comentário e compartilhar com um amigo. E obrigada por ler! :)

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Sobre cansaço... caminhos para reiniciar

Há tempos venho sentindo o cansaço chegar. Ele chega leve, de mansinho, como se quisesse anunciar aos poucos, nos dando espaço para recuar rever os planos, tomar uma hora "livre" - aquele filminho mal assistido, meio dormindo, meio atualizando as news das redes sociais -, dormir um pouco mais... coisas que querendo ou não, não farão ele sumir por completo. Simplesmente porque sentir cansaço é humano, e não podemos maquiar algo que é tão nosso, quanto nossos momentos de maior produtividade e energia.

Hoje, ouvindo um podcast ("Abra espaço para o seu cansaço" - Para dar nome as coisas), meio que senti um estalo ao ouvir a seguinte frase: "O cansaço é a forma mais cabal da minha persistência, das minhas lutas.". Muitas vezes queremos mesmo negar o cansaço. Como poderemos deixar de produzir, assistir mil stories, curtir quinhentas fotos, ler três livros, correr uma maratona, comer saudável, estudar 8 horas por dia, dormir 8 horas por noite, ser social e sociável, cuidar dos nossos afazeres domésticos se estivermos... casados? Como posso ter tamanha apatia diante de um mundo tão frenético, que me cobra, que pede que eu me mostre, que pede eu veja, e entre nesse constante correr... correr... correr...

O cansaço nos exige parar. E temos que entender que tudo bem. Tudo bem parar. E muitas vezes esse parar nos pede que nos desconectemos das nossas redes sociais - ao menos eu percebo que o instagram, por exemplo, me causa uma ansiedade louca, por não conseguir acompanhar tudo, não conseguir produzir tanto, e como atuante do studygram, ter que mostrar produtividade, proficiência... mesmo sempre querendo mostrar a verdade, os dias de luta e os dias de glória, tem outras mil contas que mostram só dia de glória... e a gente se frustra por não ter só dias de glória também parece que a nossa mente assimila que aquilo é uma completude, e não o fragmento de uma vida. 

Tudo bem parar e querer tempo para assistir um filme sem ter que lavar louça ao mesmo tempo, pois perdi meu tempo livre checando a vida alheia. Tudo bem querer um tempo para sentar no quintal e ouvir os pássaros.

Tenho ouvido outro podcast que tem me ajudado demais a pensar a vida de forma mais simples e lenta, a Bruna do podcast "Uma vida mais simples", me cativou imensamente com a vibe de nos observar mais na simplicidade, e na lentidão, nessa tentativa de fazer esse caminho contrário que o mundo capitalista sempre nos obriga a entrar no fluxo. 

E olha que eu sou de correria (ou fui condicionada a ser?). Mas estou cansada. Mas já estou melhorando porque até semana retrasada eu estava exausta e eu tive que tentar compreender o cerne do meu cansaço, que foi indicado pela minha ansiedade (dores fortes no peito/ apatia/ estresse excessivo). Estou ainda tentando me ressignificar, me compreender. E para isso, eu preciso da lentidão, de dias mais amenos. 

Continuo fazendo o que tem que ser feito, só que para mim. Sem ter que mostrar a todo segundo, o texto do momento, o fichamento feito, a live assistida. Compreendo que rotinas inspiram, compreendo que muitas pessoas gostam de acompanhar a minha rotina, mas que nesse momento preciso colocar a minha máscara de oxigênio e respirar.

Precisamos nos reiniciar, e temos que buscar as coisas que nos reiniciam no meio desse cansaço. Uma música animada, um filme, um caminhar no entardecer, um tempo longe das redes... E ir caminhando aos poucos, caminhando lento, buscando caminhos para nos reiniciar e buscar estratégias para não entrar em pane metal. Para realmente viver, aproveitar o processo. 

Alyne Lima

Instagram @alyneblima @estudandoletrasportugues

Vou voltar a utilizar o blog para maiores reflexões e também como meio de escapar da ideia frenética do instagram. Se quiser acompanhar, volte aqui com mais frequência :) e se quiser também deixar dicas de conteúdo para os nossos bate-papos aqui, fique a vontade para deixar nos comentários. 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Espelho


Clube de escrita feminina -  Auroras
Atividade 2- Pelos olhos de uma criança

Eu seguro a sua mão.
Vem, me leva nessa dança de menina e me deixe ver seus olhos
Espelho
Ancestralidade
Memória

Marcas de um passado
Lembranças de uma infância

É bom ver que você cresceu e que não mais teme sua cor
É bom ver que você cresceu e que tem orgulho do seu cabelo, menina
É bom ver que você crescer e seu sorriso demonstra essa confiança de ser quem você é
E eu fui, antes de ser corrompida e quebrada

Hoje você sabe que nada intimamente seu deve lhe causar vergonha
E que você é uma estrela em meio às constelações de nossa melanina

E isso é mais do que resistência

É bom ver que crescemos.
Que nos tornamos algo que em algum momento, na nossa brincadeira inocente da infância fomos.
E fizemos bem. Como você tem feito agora.

E pelas palavras que tanto amamos
Fazemos esse enlace, pelo espelho
Da memória
E da Ancestralidade

Sinto seus braços me envolvendo
Como se quisesse cuidar de mim e me proteger
Eu aceito.
Eu aceito seu abraço, pois sinto sua energia.
Que aquece
E queima.

Queima, pois sei que você tem força.

Mas não preciso da sua proteção.

O que eu passei, fez o que você é hoje.
O que nós somos hoje.

E isso não significa que você não passar por caminhos amargos
Significa que você precisa. Por mais que doa.
Para que em breve, possamos nos encontrar outra vez.

Se olhe no espelho.
E observe.
Essa é sua memória.

Estamos buscando nossa ancestralidade.

Menina.


Alyne Lima